domingo, 31 de julho de 2016

Viajantes: Bruno e Teresa, um encontro em uma viagem de 2 anos pelo mundo

ENTREVISTAR ELES FOI UMA DELÍCIA E EU NÃO PARAVA DE SORRIR. A história do Bruno e da Teresa prova que nem sempre é preciso ter planejamento, que todo plano pode ser mudado, que o incerto pode nos trazer supressas maravilhosas (como um grande amor) e inesperadas e que é sempre possível viajar mais barato.

15 DIAS PARA O MUNDO

Aos 28 anos Bruno era farmacêutico, tinha uma vida tranquila, mas a sua empresa informou que ia fechar e com isso ele ganharia a grana do acerto de contas. O que ele pensou? Bom, muita gente pensaria em trocar de carro, usar na entrada para comprar uma casa, fazer uma viagem cara de férias. Mas ele não, nem teve dúvidas. Já tinha conhecido outros viajantes e saiu decidido: “com essa grana eu viajo um bom tempo”. E assim foi, após 15 dias, lá estava ele pegando seu primeiro voo, em direção a Madrid. Saiu sem lenço, sem documento, sem muito planejamento e sem data pra voltar.
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Ele passou 1 ano viajando pela Europa e Oriente Médio e visitou cerca de 11 países. O que é bem legal de observar nesse primeiro ano de viagem do Bruno é que todo viajante aprende com o tempo que é possível viajar mais barato. Ficamos mais experientes, mais confiantes e com menos medos e percebemos que ao viajar barato conseguimos prolongar mais a viagem. O quadro abaixo mostra a diferença de gasto média-dia do Bruno em 1 ano de viagem e é incrível como ele reduziu consideravelmente seus custos. No início ele ficava sempre em hostels, comia em restaurantes e pegava transporte comum e depois aprendeu que experiências como fazer o couchsurfing e pegar carona não só traziam mais aventura pra viagem como eram mais econômicas. Viu, é sempre possível viajar mais barato do que pensamos. Pra quem ainda não acredita, aí está mais uma prova viva.
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QUANDO O DESTINO MUDOU TUDO

Aos 9 meses de viagem desse primeiro ano, quando o Bruno teve que voltar para Portugal por apenas uma noite pra pegar uns documentos, ele conheceu a Teresa, que aceitou o pedido dele no couchsurfing para passar aquela noite. Uma noite de bate papo apenas, mas que marcou. Uma noite que mudaria o destino de suas vidas mais pra frente. Bruno seguiu viagem para o norte da Europa, mas por dois meses o bate papo entre eles continuava pela internet e as lembranças nos pensamentos. Quando ele estava prestes a ir pra Rússia, seu instinto bateu mais forte e o avião que ele pegou partiu na verdade pra Portugal, ao reencontro com a Teresa.

A CRIATIVIDADE QUE AJUDOU A MUDAR O RUMO DA AVENTURA

Agora que eles tinham se encontrado queriam muito continuar viajando juntos. Mas o Bruno já não tinha mais grana e a Teresa, de apenas 21 anos e estudante de farmácia, não tinha grana nenhuma. Mas foi aí que ela veio com a solução: “a gente pode tocar música pelo caminho e fazer dinheiro pra viajar”. Ele pensou: “vc ta louca! isso não funciona.”. Ela confirmou: “funciona sim. Meus pais já fizeram.” Rapaz convencido! Afinal, porque um viajante sem lenço e nem documento recusaria a proposta de viver uma aventura tão gostosa como essa?
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Eles partiram para ma viagem teste de 5 dias por Portugal. Sairam de carona, ela com o violino e ele com o violão, tocando em praças pelo caminho. O primeiro teste foi um fracasso e eles ganhavam cerca de 4 euros em uma hora. Ficaram super decepcionados, pois com aquela grana não iam conseguir viajar muito longe. Mas quem quer realmente realizar um sonho, não desiste muito fácil e quando tudo parecia perdido, o Bruno veio com a idéia de fazer um cartaz com o mapa do mundo mostrando o que ele já tinha viajado e o que eles queriam viajar juntos, mostrando que as pessoas podiam colaborar com o projeto deles. Golpe de mestre desse Bruno. Eles começaram a arrecadar em média 70 euros por hora e az vezes chegavam a 200 euros em 1 hora. Ficaram super felizes. “Agora vai dar certo. Vamos nessa. Uhuuuu.”
E assim eles partiram, unidos pelo amor e pela música, em uma super aventura, acampando pelo caminho e tentando viajar o mais barato possível. Sairam de Portugal, cruzando a Europa, até chegar na Rússia de carona. Pegaram o trem Transiberiano, chegando em Vladivostok. Visitaram o Japão, Coréia do Sul, China, cruzando o Sudeste Asiático de Bicicleta. Mais uma aventura que não estava prevista e que trouxe bons momentos para a viagem. E depois cruzaram para o Nepal e Índia, completando 13 meses de viagem.
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VIAJAR O MUNDO PODE SER AINDA BEM MAIS BARATO

Nesses 13 meses de viagem juntos, eles gastaram 5 mil euros para os dois (R$ 15.400), tudo pago com o dinheiro arrecadado da música. Isso significa uma média-dia de 6,32 euros por pessoa (R$ 19,49 por pessoa). Ou seja, um gasto mensal de R$ 592,69 por pessoa. Quanto você gasta pagando as contas aqui no Brasil, parado no mesmo lugar, estressado, trabalhando muito e sem tempo pra você? Vai refletindo, vai refletindo.
Na entrevista o Bruno soltou uma frase perfeita pra quem acha que não tem dinheiro para viajar:
“Se você não tem dinheiro, o mais importante para viajar é a criatividade.”
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OS APRENDIZADOS DA EXPERIÊNCIA

Para eles viajar barato traz muito mais desafios para a viagem, nos possibilita ter um contato muito maior com os locais e esses dois fatores deixam a viagem muito mais interessante. Viver tudo isso transformou suas vidas e trouxe muitos aprendizados:
  • Aprenderam a ver o mundo de uma outra forma
  • Aprenderam a encarar o dia-a-dia de forma mais leve
  • Ele aprendeu a ser mais seguro e auto-confiante no trabalho
  • Aprenderam a lidar mais com pessoas diferentes
  • Entenderam que o futuro é uma caixa de surpresas, por mais planos que a gente faça
  • Entenderam que a gente precisa de muito menos pra viver e que isso deixa a vida mais fácil

VOCÊ PODE VOLTAR UM PROFISSIONAL AINDA MELHOR

Quando o Bruno retornou da viagem ele voltou a fazer o mesmo que antes, pois ele adorava o que fazia e inclusive sentia falta de trabalhar as vezes durante a viagem. Mas a sua carreira deu um avanço inesperado e ele acabou voltando 2 posições acima da que ele tinha antes.
Essa é uma prova de que viajar o mundo não acaba com a carreira de ninguém. Viajar o mundo não vai deixar um profissional pior, muito pelo contrário, só tende a melhorar o profissional. Quando vivemos uma experiência como essa aprendemos outros pontos de vistas, abrimos nossa mente e temos a oportunidade de nos autoconhecer muito melhor. Isso não só reflete no nosso lado pessoal mas também no lado profissional.

A DICA DELES PRA QUEM TEM MEDO DE REALIZAR ESSE SONHO.

“O mais difícil é sair de casa. Tomar a decisão e colocar o sonho em prática. O resto vem sozinho. É fantástico.”
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Bruno e Teresa são cidadãos normais como todos nós. Estudavam, trabalhavam e tinham suas vidas parados em um mesmo lugar. Mas a decisão do Bruno de partir fez com que o destino cruzasse seus caminhos e mudasse o rumo de suas vidas. Quando encontramos os dois a Teresa estava no Brasil de visita, pois ainda tinha que terminar seus estudos em Portugal. Mas o amor pela música e pela viagem que os uniu continua firme e forte e agora eles fazem planos de como vão fazer pra ficar definitivamente juntos. Essa foto abaixo resume tudo dessa incrível aventura que eles vão poder contar para os netinhos.
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Dados da viagem

2 anos pelo mundo
1 grande amor
Muitas músicas tocadas
1 aventura de bicicleta


QUER SABER MAIS SOBRE SUAS HISTÓRIAS?
Créditos das fotos: Bruno e Teresa

quarta-feira, 27 de julho de 2016

ESSA ENTREVISTA FOI UM REENCONTRO, 6 ANOS MAIS TARDE. Foi muito engraçado poder entrevistar eles, pois nós os conhecemos em 2008, na festa de uma amiga, quando eles tinham acabado de voltar da viagem e a gente ainda nem pensava em fazer a nossa volta ao mundo. Mas eu lembro como fiquei impressionada com a história deles e passamos a festa toda conversando e fazendo mil perguntas. Eu não me via fazendo uma viagem de barco, mas achava a idéia de viajar por longo prazo sensacional, ainda mais com os filhos, e aquela conversa nunca saiu da minha cabeça. Agora fico feliz em compartilhar a história deles na ViraVolta.

O MAIS DIFÍCIL É DECIDIR

Foi o Rodrigo quem começou com esse sonho de viajar de barco, mas quando ele falou da idéia pra Márcia ela não topou muito, pois ela queria que aquele sonho fosse dela também. Pra se animar, ela começou a investigar mais sobre o assunto. Porém a vida vai levando a gente. Os planos sempre eram postergados e o medo os prendiam à zona de conforto. Os dois viviam momentos importantes em suas carreiras, como executivos em multinacionais, e já estavam há alguns anos como expatriados.
Até o dia em que veio uma nova proposta de expatriação, que não agradava muito ao casal. E foi bem nesse momento em que a Márcia se viu fazendo parte do sonho. Depois de muito pesquisar, ela ficou interessada em poder educar os filhos no barco, uma opção que traria uma experiência incrível e os aproximaria muito. E foi aí que a Márcia, que antes não curtia a idéia, passou a virar a maior defensora da causa, tentando convencer o Rodrigo de que aquele era o momento certo pra fazer. Ou eles faziam naquela hora ou nunca ia acontecer. E foi assim, 10 anos depois do Rodrigo ter compartilhado com ela o seu sonho, que a decisão saiu. Ele com 38 e ela com 36, criaram a coragem pra viver a aventura e se apoiaram pra realizar o sonho, levando com eles os dois filhos, Nícolas (de seis anos) e Rafael (de dois anos).
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O DESAFIO

Após a decisão veio um novo desafio, o de conseguir realizar a aventura em um barco. Um veleiro querido, que passou a fazer parte da família, chamado Cavalo Marinho. Os dois tinham feito cursos de navegação, mas jamais tinham navegado longas distâncias. Eles contaram que na primeira noite de navegação, saindo do porto de Paraty, no Rio, pegaram a maior tempestade e o barco quase virou. No dia seguinte eles estavam super estressados e se sentiam inseguros pra continuar, fazendo com que eles quase desistissem do plano. Uma decisão que mudaria tudo. E foi então que eles conheceram um navegador experiente, que se propôs a navegar com eles por uns dias até que eles pegassem mais experiência. Decisão acertada. Pois tudo na vida é uma questão de prática e o Rodrigo já se sentia seguro pra dar até a volta ao mundo de barco.
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O PLANO

Eles saíram sem um plano definido. Nas contas deles, eles tinham dinheiro pra viajar por 1 ano e decidiriam seguir viagem até onde o dinheiro desse. Mas quando eles chegaram no norte do Brasil, perceberam que os gastos eram muito menores do que eles tinham previsto. Eles gastavam cerca de US$ 1 mil por mês, incluindo todos os gastos pra família toda, e quando fizeram a avaliação financeira perceberam que poderiam viajar por muito mais tempo. E assim a viagem foi pra dois anos, três anos, fazendo com que eles viajassem pela costa até o norte da América do Sul, depois América Central e Caribe.
Com três anos e meio eles tiveram que retornar ao Brasil, pois a mãe da Márcia estava doente e precisava de sua ajuda. Mas afirmam que, se não fosse por esse imprevisto, teriam viajado por muito mais tempo e talvez até feito a volta ao mundo. Os custos que eles tinham no barco eram infinitamente menores do que os custos em terra e eles poderiam viver daquela forma por muitos anos. Um estilo de vida que eles estavam completamente apaixonados. Eles afirmam que apenas 5% do tempo representa navegação e que o restante do tempo eles estavam atracados em algum lugar, curtindo a vida.
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O CONTATO E A EDUCAÇÃO DOS FILHOS

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Pra eles, ter tanto tempo pra passar com os filhos, conversar e contar histórias criou um vínculo muito maior entre eles e momentos incríveis. A Márcia optou por fazer uma educação a distância, chamada de “homeschooling”. Esse é um conceito já conhecido em vários lugares do mundo, onde os pais optam por educar seus filhos em casa e não em uma escola. Já que eles estariam no barco, essa era uma opção perfeita. Mas como o conceito ainda não era muito disseminado no Brasil, ela escolheu uma empresa internacional, a Calvert School, que mandava os materiais e orientações na educação. Durante a semana, ela passava três horas por dia com o filho mais velho, de seis anos, que já estava no período de alfabetização, e apenas 30 minutos com o filho mais novo, de dois anos, que fazia apenas atividades mais lúdicas. Pra eles, esse forte contato com os filhos não tem preço e é algo que eles jamais conseguiriam implementar na rotina louca que eles tinham antes da viagem. Ter vivido essa aventura foi uma oportunidade única de criar um vínculo ainda mais forte em família.

OS APRENDIZADOS DA EXPERIÊNCIA

Certamente passar tanto tempo em família em um espaço pequeno foi um grande desafio, além de todos os novos desafios encontrados pela realidade de se viver em um barco, que era um ambiente completamente novo. Eles acreditam que é impossível não se transformar depois de fazer uma longa viagem, pois as experiências vividas em uma aventura como essa mexem muito com a nossa cabeça.
Viver tudo isso transformou suas vidas e trouxe muitos aprendizados:
  • O questionamento de valores e estilo de vida
  • Aprender a ter mais tolerância e a respeitar o espaço e os limites do outro
  • Aprender a relevar mais e enxergar que pra tudo tem um lado bom
  • Entender que tudo pode ser realizado e tudo é possível
  • Enxergar que a vida pode ser mais simples
  • Compreender que o dinheiro não é o mais importante pra felicidade
  • Mudar a relação com o consumo, ele pode existir, mas deve ser mais leve e equilibrado
  • Entender que não é preciso ter medo e ganhar mais auto confiança
  • Não importa o que os outros pensam, é melhor fazer o que nos faz feliz
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A VOLTA E A CARREIRA

A Márcia e o Rodrigo são um grande exemplo de que viajar por longo prazo não acaba com a sua carreira. Eles ficaram 4 anos fora do mercado e voltaram da viagem com mais de 40, mas a experiência ampliou a visão e os transformaram em profissionais mais seguros.
Quando o Rodrigo voltou ele ficou um pouco receoso do como o mercado de trabalho enxergaria a sua experiência. 9 de 10 pessoas do mercado viram a viagem como uma coisa super positiva e de destaque, que o diferenciava de outros profissionais. Ele comenta no vídeo: “a viagem é muito maior do que um MBA, maior do que qualquer coisa que você possa estudar em qualquer lugar do mundo”. E eu entendo bem o que ele quer dizer com isso. Viajar por longo prazo ensina coisas que nenhum estudo vai te ensinar, principalmente porque ensina na prática e muitas vezes sem opções de teoria. Você está lá, de cara com um problema ou desafio, e tem que resolver, querendo ou não, tendo conhecimento ou não. E isso desenvolve habilidades incríveis na gente.
Os dois tiveram ótimas recolocações no mercado, estão felizes com suas carreiras e estão curtindo também a opção de estar em terra, parados em um mesmo lugar, que também tem seus pontos positivos. Mas a vontade de se jogar outra vez ainda existe e, pra eles, vai acontecer outra vez no futuro.

A DICA DELES PRA QUEM TEM MEDO DE REALIZAR ESSE SONHO.

O medo se deve ao desconhecimento. O Rodrigo tem um perfil bem conservador e pouco ousado e quando ele sonhava em fazer isso ele acreditava que nunca seria capaz de realizar. Ele diz que ele é a maior prova de qualquer um poderia fazer isso: “Se eu fiz qualquer um faz”. Planeja e faz acontecer que é possível. Perseverança é o que faz a diferença.

A Márcia e o Rodrigo são mais um exemplo, de uma família padrão da sociedade, que focava em suas carreiras, mas que acreditou e decidiu viver um sonho e viram suas vidas transformadas de uma forma positiva por essa experiência, inclusive em suas carreiras.

Dados da viagem

3 anos e meio no mar
Muitas aventuras
Família mais unida


SAIBA MAIS SOBRE SUAS HISTÓRIAS:
Créditos das fotos: Márcia e Rodrigo

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Viajante: Argus viajou de bicicleta sozinho por 3 anos

O Argus é um arquiteto mineiro de 39 anos que trabalhava com construção e um dia decidiu viajar o mundo 3 anos e meio, mesmo sem ter a grana. Sua história sempre me encantou e eu estava muito ansiosa pra conhecer ele pessoalmente. Afinal, já faz 9 anos que ele voltou da viagem e eu sempre me perguntei se era possível guardar todos os aprendizados e sensações de uma experiência tão intensa como essas depois que voltamos para a loucura da nossa sociedade. Sai da conversa com o coração radiante.

A PROVA DE QUE É POSSÍVEL VIAJAR COM MUITO POUCO

Quando decidiu fazer a viagem, em 2001, ele tinha apenas 25 anos e nenhum dinheiro no bolso. Mas isso nunca o fez desistir do sonho. Ele estava determinado a fazer com ou sem dinheiro e então surgiu a grande idéia de fazer de bicicleta, o que deixaria tudo bem mais barato.
A falta de dinheiro também estimula a criatividade e só quem fica sentado no sofá reclamando da vida não encontra soluções. Para custear sua viagem ele criou um projeto que se chamava “Pedalando e educando”, onde ele passava por escolas no seu caminho ensinando história e geografia dos países que já tinha visitado. Com isso ele conseguiu o patrocínio de 3 empresas que gerava 300 dólares por mês e ainda se sentia útil para a humanidade. Combinação perfeita.
Perfil: Argus Caruso
Na média ele gastava 500 dólares por mês. Bem menos do que ele gasta parado no Rio de Janeiro atualmente. Mas ele alerta, viajar barato é uma arte e demanda disposição. Em contrapartida, pra ele, viajar dessa forma trouxe experiências maravilhosas para a sua aventura e foi uma oportunidade fantástica de interagir com os locais e de novos aprendizados.

COMO ASSIM LARGAR TUDO?

“Sempre vejo pessoas que sonham em viajar o mundo e ficam com medo de ‘largar tudo’. Mas eu vivo me perguntando: largar tudo o quê?” O Argus deu uma das melhores respostas que eu já vi. Na visão dele, ele nunca largou tudo, ele apenas se proporcionou uma oportunidade para aprender muito mais, inclusive sobre a sua profissão. E isso só gerou bons frutos no futuro.

O MEDO E A CORAGEM

Quando perguntei sobre os medos ele disse: “O medo sempre existe, mas ele não pode nos frear ao ponto de impedir a realização de nossos desejos e sonhos, ele apenas conscientiza.” Ele se jogou no mundo sozinho de bicicleta sem ter nenhum preparo físico ou experiência e garante que depois que vivemos a aventura aprendemos que o medo é criado pela nossa imaginação e pela mídia. No segundo dia de viagem ele tomou o maior e pior tombo de toda a trajetória, o que poderia ter acabado com a viagem, mas mesmo assim ele não desistiu.
Após ter vivido tudo isso ele se sente muito mais corajoso. E eu entendo exatamente o que ele está falando. Viver essa experiência de experimentar o mundo te enche de coragem, mesmo que você já tenha um quê dela.

OS APRENDIZADOS DA EXPERIÊNCIA

Viajar com tão pouco foi um desafio que impactou a forma de pensar. Quando voltou levou um tempo para se readaptar novamente, mas hoje ele se sente um cara “normal” (diz ele fazendo o gesto de entre aspas com as mãos), mas 9 anos após ter voltado, ele ainda carrega forte com ele todos os aprendizados da sua aventura e tenta aplicar ao máximo em sua vida.
  • Ele reduziu muito os seus medos e se arrisca mais na vida
  • Agora acredita que tudo é possível, é apenas uma questão de determinação
  • Aprendeu a valorizar mais a simplicidade
  • É bem mais consciente da sua alimentação e saúde
  • Entendeu que o mundo não é perigoso
  • Aprendeu a viver com menos e a não acumular coisas supérfluas
Pra ele é impossível viver uma experiência como essa e não se transformar e mesmo após tanto tempo ele continua desapegado e nada consumista. Na sua casa não tem TV e programa de shopping é uma coisa que ele não faz.

UM MUNDO DE OPORTUNIDADES

Ter vivido essa experiência mudou a trajetória da sua vida e abriu muitas portas no futuro. Ele lançou o seu livro “Caminhos”, fez várias exposições e palestras, conseguiu ótimas oportunidades de trabalho na sua carreira e atualmente está trabalhando no projeto de uma bicicleta a vela anfíbia e foi convidado pela prefeitura de Niterói para coordenar o projeto Niterói de Bicicleta. É, pelo visto sua vida continua cheia de aventuras e é isso que deixa a vida empolgante.

UM CONSELHO PRA QUEM ESTÁ PRECISANDO DE CORAGEM

Se você quer fazer mas tem medo ele garante que você não vai se arrepender. Se você quer fazer de bicicleta mas não tem experiência ele garante que não é necessário e que qualquer um pode fazer. Se você tem medo de destruir a sua carreira ele diz para você não se preocupar, pois vai voltar um profissional melhor.
Perfil: Argus Caruso
Argus é mais um cara como todos nós, que estava levando a sua vida, mas que um dia decidiu viver uma aventura única pois acreditava que isso só ia trazer bons aprendizados. Ele não era rico, nem milionário, muito pelo contrário. Mas encontrou uma forma de realizar o seu sonho ao invés de ficar apenas sonhando.

Dados da viagem

3 anos e meio pelo mundo
28 países visitados
35 mil km rodados
pernas mais saradas


QUER SABER MAIS SOBRE ELE E SUAS HISTÓRIAS?
  • Site do Argus: arguscaruso.com.br
  • Não deixe de ler o livro: Caminhos – Volta ao Mundo de Bicicleta
Créditos das fotos: arguscaruso.com.br

domingo, 3 de julho de 2016

Viajantes: Roy e Michelle fazem viagem de 4×4 de 3 anos pelo mundo

UMA AVENTURA DE CARRO DE DAR INVEJA EM QUALQUER UM. Eu sempre achei a idéia de viajar o mundo de carro sensacional, e acredito que viver a experiência dessa forma seja bem diferente de viajar de mochila usando os transportes públicos. Eu ainda não desisti dessa idéia e fiquei feliz em poder conhecer esse casal, que viveu uma incrível aventura de 4×4 de 3 anos pelo mundo, que eles chamaram de “Mundo por Terra”. Os dois de São Bento do Sul, Santa Catarina. Roy tem 39 anos e a Michelle 29 anos. Já se passaram 3 anos desde que eles retornaram da viagem e foi um prazer descobrir que os sonhos só aumentaram. Se inspire com a história deles.

UM ENCONTRO PODE MUDAR TUDO

Eu sempre digo que a gente deve estar aberto a interagir e se comunicar com outras pessoas, mesmo estranhos. Pois você nunca sabe quando vai surgir aquela conversa de cinco minutos que pode mudar sua vida pra sempre. A história do Roy e da Michelle começou assim, quando o Roy, um grande sonhador de viagens, decidiu bater um papo com um cara da sua pós-graduação sobre o seu “louco” sonho de viajar o mundo. Quando ele comentou que pretendia realizar o sonho em 10 anos, o cara retrucou: “você ta louco? Daqui a dez anos muita coisa vai ter mudado na sua vida e você vai acabar nunca partindo. Se você deseja mesmo realizar esse sonho faça ele agora, não deixe pra depois.” Aquela conversa nunca mais saiu da cabeça dele e foi o maior motivador pra ele iniciar os planos a partir daquele segundo, a começar pelas contas, pra ver quanto ele conseguiria economizar pra viagem. Com um plano bem definido, uma meta a atingir e foco, ninguém mais poderia impedir. Nem a Michelle, que abraçou a causa.
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UM ROTEIRO INESPERADO E INUSITADO

A história deles é prova de que não existe plano nessa vida que não possa ser alterado. Além de provar também que a insegurança e o medo que temos de alguns países está apenas na nossa cabeça. Quando eles fizeram o plano inicial nem imaginavam em pisar na Ásia Central e Oriente Médio, mas ao encontrar tantos viajantes de carro pelo caminho que vinham dessas regiões e falavam coisas maravilhosas eles começaram a abrir suas mentes para a idéia e mudaram completamente os seus planos. Abaixo você pode ver as imagens do roteiro planejado e roteiro realizado. Eles fizeram um roteiro incrível, de deixar qualquer um com água na boca, explorando bem a Ásia e África, regiões que são pouco visadas pelos brasileiros, infelizmente. Com isso visitaram 60 países e rodaram 160 mil quilômetros em quase 3 anos de viagem.
Mapas.001

A REGRA: NUNCA DIZER NÃO

Eles determinaram que nunca diriam não para um convite, pois acreditavam que isso traria experiências únicas para a viagem. A não ser que apresentasse alto risco e para isso sempre vale o uso do bom senso e não da paranóia. Eu adorei essa regra deles. Achei a idéia sensacional e acho que pensar assim faz diferença nas experiências que você vai viver na viagem. Eles têm centenas de histórias super legais por conta dessa regra e no vídeo contam uma delas, a história dessa foto abaixo.
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VIAJAR DE CARRO E OS CUSTOS

Eles alertam que viajar de carro envolve uma parte burocrática chata, além de toda a preocupação com manutenção, mas garantem que existem mais vantagens do que desvantagens, a começar pela flexibilidade. O carro te leva onde você quer na hora que você quer. O carro também pode ajudar a reduzir os custos da viagem já que você pode dormir e fazer as refeições nele. Eles passaram quase 3 anos vivendo em um carro de 4m2. Eles dormiam, cozinhavam, se deslocavam, faziam absolutamente tudo dentro do carro.
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Em 2 anos e 10 meses de viagem eles gastaram 69 mil dólares para os dois. Isso significa uma média-dia de 33,45 dólares por pessoa, incluindo todos os gastos diários da viagem como manutenção, alimentação, passeios, combustível, os translados marítimos e aéreos e etc. Uma valor baixo pra tudo o que você vai viver no caminho. Provavelmente você gasta mais que isso vivendo no Brasil. Esse custo não inclui porém a compra do carro, afinal ele sempre vai poder variar muito e é uma escolha pessoal. Algumas pessoas vaiam o mundo de Kombi, de caminhonete, de carro antigo, de 4×4… É possível fazer com qualquer tipo de carro.
Eles reforçam que o planejamento financeiro durante a viagem é fundamental para conseguir realizar o sonho. É preciso ter metas de gastos e controlar a grana pra não correr o risco e voltar antes pra casa.
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OS APRENDIZADOS DA EXPERIÊNCIA

Para eles viver uma experiência como essas transforma qualquer pessoa e sempre para o lado positivo, por que viajar ensina muitas coisas e muitas delas nós jamais viveríamos em uma vida parado no mesmo lugar. A viagem trouxe muitos aprendizados:
  • Capacidade de se adaptar
  • Aprender a ser mais tolerante
  • Aprender a viver com menos
  • Entender que a vida é bem mais simples
  • Entender que reduzir o consumo nos torna mais livres
A viagem mudou suas vidas pra sempre e para o Roy abriu os seus horizontes. Ele que antes só se via trabalhando com que ele sempre fez conseguia ver agora um mundo de possibilidades.
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OS PRÓXIMOS PLANOS

Eles não podiam ficar parados e nesses 3 anos que ficaram no Brasil após a viagem começaram a bolar os planos de uma próxima aventura. O novo projeto se chama Latitude 70 e vai durar 2 anos e meio. O objetivo é alcançar de carro os pontos mais extremos da terra. Eles partiram no dia 17 de Agosto de 2014. Se você curte esse tipo de viagem de carro, você não pode deixar de seguir essa incrível aventura (todos os links ao final do post).
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A DICA DELES PRA QUEM TEM MEDO DE REALIZAR ESSE SONHO

Pra eles a parte mais difícil é decidir. Depois que você diz “eu vou” todos os caminhos, todas as portas, se abrem à sua frente. E eles brincam: “Se o seu sonho é construir uma casa… Viaja também. Porque depois da viagem seus sonhos podem mudar.” E olha que pode acontecer mesmo.
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Dados da viagem

3 anos pelo mundo
60 países visitados
um carro como casa
mil aventuras


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Créditos das fotos: Mundo por Terra